Rubem Dario
RUBEM DARIO – ARTISTA CARIOCA-MINEIRO –
O POETA PINTOR E MÁGICO DAS CORES
NA TAPEÇARIA ARTÍSTICA


Ele se chamava Rubem, como seu pai, e Dario como o poeta moderno nicaraguense, Rubén Dario (1867-1916) conhecido como o príncipe das letras castelhanas. Seu nome completo era Rubem Dario Horta Bittencourt, nascido no Rio de Janeiro em 1941 “por acaso”, foi levado neste mesmo ano,  pelos seus pais, que eram de família mineira tradicional,  para morar em  Belo Horizonte - MG. Somente em 1959 que Dario se mudou para o Rio de Janeiro e em 1960 sua família, que sempre o apoiou, se junta a ele, morando em frente ao mar, na Avenida Atlântica, em Copacabana, até 1969.
Iniciou em 1960 no Rio de Janeiro, por vocação e por uma indicação terapêutica, cursos de arte, começando com desenho básico na Fundação Getúlio Vargas. Em seguida freqüentou, entre os anos 1961 e 1964, com muito entusiasmo, o ateliê livre do artista  Frank Schaeffer (1917-2008), e por último, fez em 1965 um curso técnico de pintura no MAM-RJ, com o artista Domenico Lazzarini (1920-1987).  Durante estes anos dividia suas atividades entre a pintura e o desenho publicitário, área em que trabalhou em São Paulo entre 1962 e 1963.
A partir de 1963, Dario decidiu dedicar-se exclusivamente à pintura. Com 21 anos ele ganhou destaque no Jornal do Brasil  com a manchete: “Rubem, o pintor jovem dos olhos cheios de mar”.  Esta matéria afirma que ele parecia assustado diante do sucesso que fazia. O rapaz tímido e apreciador de jazz, que começou pintando retratos de sua mãe, já tinha conquistado a sociedade carioca com seu talento de pintor retratista. O convite da galeria Montmartre-Jorge para realizar a sua primeira exposição, anunciava: “um jovem mineiro desponta no Rio como um dos mais promissores talentos da pintura”.  Jorge Beltrão, diretor desta galeria, era grande incentivador dos artistas, tendo sido considerado o primeiro marchand cearense com sotaque francês responsável por ter colocado a Arte nas paredes da sociedade carioca da época. Nesta primeira exposição de pinturas de Dario, foram exibidos os retratos de algumas das principais senhoras da sociedade carioca: Carmem Teresinha Mayrink Veiga, Nininha Nabuco Magalhães Lins, Clarice Bernardes, Bianca Janner, entre outras.

O premiado artista Frank Schaeffer, que foi pintor de cunho expressionista, participou em 1951 da 1ª Bienal de São Paulo, bem como das Bienais de Barcelona (Espanha)  e do México. Expôs em 1957 e 1965 em Lima (Peru). Fez parte, entre os anos de 1960 e 1963, da Comissão Nacional de Belas Artes no Rio de Janeiro. Dentre várias outras atividades e exposições ministrou cursos no Brasil e no exterior e foi excelente professor para “o rapaz de 19 anos que desejava tornar-se arquiteto e que foi trabalhar com ele em seu ateliê”, assim Schaeffer se referia a Dario,  que se influenciou pelo seu mestre e acatou o seu conselho para que ele seguisse a “arte da tapeçaria”, pela sua pintura ser de “caráter muralista”.
Em reportagem no jornal O Globo, de 29 de agosto de 1964, Dario apontou o baiano Genaro de Carvalho (1926-1971) como o melhor artista da tapeçaria moderna brasileira. Genaro e Schaeffer, coincidentemente, entre 1948 e 1949, receberam bolsa do governo francês, e foram alunos de Fernand Léger (1881-1955) e de André Lhote (1885-1962), na École Nationale Supérieure des Beaux-Arts de Paris. Genaro, de maneira especial, se inspirou muito nos seus mestres, assim como se encantou, nesta mesma época em Paris, pelo trabalho do artista renovador da tapeçaria francesa, Jean Lurçat (1892-1966). Lurçat foi responsável pelo despertar e pela valorização mundial desta arte também mural. De volta ao Brasil, Genaro abre seu ateliê em 1952 em Salvador-BA e, em 1955, fez sua primeira exposição de tapeçarias na Petite Galerie no Rio de Janeiro. Em 1957 na IV Bienal de São Paulo, a França apresentou seis tapeçarias de artistas, como do pioneiro Lurçat, Jean Picart le Doux e do arquiteto Le Corbusier, que chamava a tapeçaria artística de “mural-nômade”. Neste mesmo ano o MAM-SP realizou a exposição individual de tapeçarias de Genaro, considerado, já então, o primeiro artista brasileiro da tapeçaria.
Em 1959 Jacques Douchez (1921-2012) e Norberto Nicola (1930-2007), dois importantes pintores abstratos e discípulos do artista romeno Samson Flexor (1907-1971), do inovador Atelier-Abstração, fundaram em São Paulo, o ilustre Atelier Douchez-Nicola de Tapeçarias. Este relevante ateliê para a tapeçaria abstrato-geométricas brasileiras também executou tapeçarias para outros artistas, como, por exemplo, o prestigiado artista Burle Marx. O Atelier foi o “centro irradiador e renovador dessa arte em nosso país”, como afirma o curador Antonio Carlos Suster Abdalla.
Neste momento Dario, no auge da tapeçaria artística, nos anos de 1960, e pelo seu talento “muralista”, Dario iniciou em 1964, a produção dos cartões-modelo no ateliê de Schaeffer. Em 13 de setembro de 1964 ele declarou ao O Jornal que cogitou organizar um ateliê seu para bordar e tecer suas obras, mas, ao conhecer e se encantar pelo Artesanato da Penitenciária de Bangu,  Dario decidiu entregar a execução de suas tapeçarias a este Artesanato. Sob a orientação e supervisão de Dona Gilda Carneiro de Mendonça este ateliê coletivo, que executava desde 1962 um trabalho de qualidade - tendo formado excelentes artesãs. Graças a esta magnífica obra social, idealizada como terapia ocupacional, proporcionava também renda para suas artesãs.  Dna. Gilda, idealizadora deste projeto, capacitou por volta de sessenta mulheres, que bordavam o ponto, no princípio, em “petit point” (ponto à agulha) e também o ponto “arraiolo”. Dna. Gilda contou igualmente com a importante colaboração voluntária de outras senhoras da sociedade carioca, como Lucília Osvaldo Cruz, Heloísa Marinho e Maria Luiza Ferreira. Este ateliê chegou a produzir centenas de tapetes e de tapeçarias para o mercado nacional e internacional, tendo exportado para os Estados Unidos e para a Bélgica, entre outros países.
Alguns artistas brasileiros prestaram inestimáveis colaborações para o Artesanato da Penitenciária de Bangu, como Burle Marx, Parodi e outros. Na reportagem de 1964, da revista O Cruzeiro, Dario ganha destaque, em, escolhendo cuidadosamente, com Dna. Gilda, as lãs e as cores para a tecelagem de suas tapeçarias. Em setembro de 1964, Dario com 22 anos, realizou a sua primeira exposição de tapeçaria, a convite do crítico, arquiteto e jornalista Flávio de Aquino. Flávio fez a orientação artística para a inauguração da Galeria Décor. Esta galeria estava localizada na Rua Toneleros, em Copacabana e pertencia aos arquitetos modernistas Geraldo Raposo Câmara e Wladimir Alves de Souza. Neste período, a galeria representava o Artesanato da Penitenciária de Bangu.
Nesta exposição de estréia, Dario abandona o clássico “preto e branco”, usado anteriormente em seus portraits. Sua tapeçaria emerge num mundo de cores alegres e atraentes, com temas abstratos que estilizam o figurativo. Algumas obras trazem vestígios marcantes de naturezas mortas, com moringas, garrafas, vasos e conchas, como numa fantasia. Flávio de Aquino comentou, nesta exposição, que “Rubem Dario, aos 22 anos, revela surpreendente madurez e reflexão. Para não cair no demasiadamente decorativo reforça a composição com linhas grossas e severas, com verticais e horizontais dominantes que ressaltam suas intenções construtivas; para não ir ao pictural, à pintura tecida, espalha a cor em largas superfícies deixando que a vibração se produza por meio da larga trama dos pontos, elemento essencial da tapeçaria moderna.”
O sucesso de Dario no ingresso da arte da tapeçaria foi aclamado pelo público e divulgado em muitos jornais e revistas do Rio de Janeiro e de Belo Horizonte, que comentaram que sua obra engrandecia este ramo da arte com contribuições valiosas. A concorrida inauguração apresentou dezoito tapeçarias e contou com a presença de importantes convidados e autoridades, como  o Sr. Carlos Otávio Flexa Ribeiro, Secretário da Educação e Cultura do governador Carlos Lacerda e da Sra. Elsie Lessa, cronista e jornalista do jornal O Globo, entre muitos outros. Ainda no ano de 1964, no mês de novembro, Dario foi o único artista da tapeçaria escolhido para participar da Feira de Arte, no Hotel Copacabana Palace, em benefício da CELPI (Costura e Láctário Pró-Infância), em conjunto com importantes artistas participantes, como Di Cavalcanti, Ione Saldanha e Carlos Scliar.
Em  março de 1965 aconteceu a I Bienal de Artes Aplicadas del Uruguay em Punta Del Este. Conforme matérias de Jayme Mauricio, da coluna “Itinerário das artes plásticas”, do Correio da Manhã no Rio de Janeiro, e da revista A Cigarra, assim como pelos documentos no Arquivo Histórico Wanda Svevo (AHWS) (também conhecido como Arquivo Bienal), esta nova Bienal do Uruguai convidou a Fundação Bienal de São Paulo, na pessoa de seu presidente, Ciccillo Matarazzo Sobrinho, para organizar a representação brasileira. Somente três países participaram desta Bienal: Uruguai, Argentina e Brasil, com cartazes, cerâmicas, jóias, tapeçarias e estampas para vestuário. A Sra. Rosalina Leão, do Setor de Artes Plásticas da Divisão Cultural do Itamarati, que foi responsável pela seleção dos artistas do Rio de Janeiro, escolheu cinco tapeçarias de Rubem Dario. O trabalho do jovem Dario marcou presença nesta I Bienal ao lado dos artistas pioneiros da tapeçaria brasileira: Genaro de Carvalho, Jacques Douchez e Norberto Nicola. Nicola recebeu nesta I Bienal o prêmio “Bienal de Córdoba”, pela excepcional qualidade de suas tapeçarias, conforme documento assinado pelo seu diretor, o arquiteto Luís Garcia Prado.
Em novembro de 1965, Dario realizou a sua segunda exposição individual de tapeçarias na Galeria Décor e nesta nova fase adotou como tema somente motivos da vegetação tropical. Neste ano o governador Carlos Lacerda adquiriu três tapeçarias de Dario, sendo uma delas para o Palácio Guanabara no Rio de Janeiro na época em que governou este estado.
Em 1966 Dario já tinha alcançado a consagração autêntica da sua arte, não só pela sua fama e participação em exposições, mas também pelo resultado de suas encomendas e vendas para clientes especiais, como para a princesa Margrette, que hoje é a Rainha da Dinamarca. Em fevereiro de 1966, Dario recebeu o convite da Embaixada de Portugal no Brasil, para participar da mostra coletiva “O Tapete Português no Brasil”, organizada no Pavilhão da Exposição Portugal de Hoje, que foi montado para as comemorações do IV Centenário da Cidade do Rio de Janeiro, em setembro de 1965, tendo funcionado até março de 1966. No mês de abril deste ano, Dario expôs com a Galeria Décor no Hotel Nacional de Brasília, que fez a encomenda de uma tapeçaria de dez metros de comprimento. Também em abril, Dario foi indicado pelo Itamarati para representar o Brasil como tapeceiro, na feira internacional Philadelphia Home Show nos Estados Unidos, para onde foram enviadas quatro obras. Em 10 de junho ele realizou sua terceira exposição individual na Galeria Décor e dez dias depois abriu a sua primeira exposição em Belo Horizonte na Galeria Guignard.
Esta primeira exposição mineira, “Tapeçaria de RUBEM DARIO”, foi aberta em 20 de junho de 1966, patrocinada pela Sra. Teresinha Soares, grande dama da sociedade mineira e pelo jornalista do Jornal Diário de Minas, José Mauricio. O fundador desta importante galeria, o catarinense Sálvio de Oliveira, um homem dinâmico e grande empreendedor na área da cultura nacional, tendo sido em 1952 o primeiro diretor do museu Museu de Arte de Santa Catarina (MASC). Sálvio ficou muito empolgado com o sucesso de público e de venda da exposição de Dario. A imprensa e os mais exigentes críticos locais aclamaram o êxito desta exposição de Dario no seu estado de origem.
Em Niterói, Dario realiza uma exposição individual de tapeçarias em agosto de 1966, na consagrada galeria Scala. Neste mesmo ano Dario, em dezembro, também participa com tapeçarias da exposição coletiva “Arte e Artesanato” na Galeria Décor, em conjunto com desenhos de Di Cavalcanti e Oswaldo Goeldi, guaches de Antonio Bandeira, gravuras de Milton da Costa e óleos de Volpi e Glauco Rodrigues, entre outros artistas famosos.
Em fevereiro de 1967, Dario com 25 anos, recebeu o convite para expor na Sala Especial do I Salão Nacional de Pintura Jovem, no Hotel Quitandinha, em Petrópolis. Dario expôs em setembro, na galeria do IBEU (Instituto Brasil-Estados Unidos), no Rio de Janeiro, na exposição coletiva “O Rosto e a Obra”, na edição de 1967. Esta mostra reunia fotografias do rosto dos artistas, feitas pelo fotógrafo Max Nauenberg, e obras dos trinta e sete selecionados. Dario participou desta edição com artistas consagrados como Abraham Palatnik, Joaquim Tenreiro e Jacques Douchez. As nove edições de “O Rosto e Obra”, realizadas entre 1961 e 1990, transformaram-se numa tradição da vida artística carioca e tornaram-se a marca registrada do curador Marc Berkowitz, com sua excelente atuação na comissão de arte no IBEU. Segundo a nota do Jornal do Brasil, em novembro de 1967, o governo de Rondônia fez uma importante encomenda a Dario: uma tapeçaria de doze metros para o hall do palácio do governador. Em dezembro de 1967, Dario participou com tapeçarias da coletiva de artes, inaugurando a Galeria Zitrin no Rio de Janeiro, em conjunto com esculturas de Zélia Salgado e gravuras de Vera Mindlin.
Em abril de 1968, o Jornal Ponte da Cadeia de São João Del-Rei, publicou a crônica de Adenor Filho sobre o artista Rubem Dario: “bem no coração de Copacabana se encontra um jovem artista mineiro, com raízes em Prados, Diamantina e São João del-Rei, mas cujas tapeçarias já alcançam renome nacional”. Dario era então chamado de artista “carioca-mineiro” e muito reconhecido pelas suas obras multicoloridas. Entre 1968 e 1970, Dario se afastou das exposições mas usufruiu de sua fama produzindo muitos cartões em seu ateliê e recebendo várias encomendas de tapeçarias para órgãos públicos e comerciais. No Rio de Janeiro a Biblioteca do Colégio Santo Inácio, Furnas, Usiminas, Grupo Denasa, Banco Bozano Simonsen e Faculdade Nacional de Arquitetura, dentre outros órgãos encomendaram tapeçarias suas. O mesmo ocorreu com empresas sediadas em Belo Horizonte e em outras cidades. Conforme os registros da família de Rubem Dario, o artista, além de ter vendido para coleções particulares nacionais, também exportou obras para os Estados Unidos, Alemanha, Inglaterra, Japão, Argentina, Chile e Dinamarca.
Em 1969 Dario se muda com a família para Belo Horizonte. Entre 1970 e 1973, Dario executa também tapeçarias em Belo Horizonte, no ateliê formado por jovens do Educandário Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, que era uma obra social organizada e orientada pela Sra. Clara Maria Frattini Renault. Em 1971, Dario recebeu o convite de Mari’Stella Tristão (1919-1997), artista plástica, produtora cultural e crítica do jornal Estado de Minas para participar da importante coletiva “Tapeçaria Mineira”,  no Palácio das Artes, em Belo Horizonte, ao lado dos artistas Degois, Luis Chaves, Marlene Trindade e Maria Helena Andrés. Em São Paulo, neste mesmo ano, segundo a matéria de 1º de setembro, do jornal Ultima Hora, a Galeria de Arte Alberto Bonfiglioli, destacava as tapeçarias de Rubem Dario numa exposição permanente que reunia obras de diversos artistas de renome representados pela galeria.
Em 1972 o ateliê de Dario estava estabelecido em Belo Horizonte na rua Guajajaras e contava com o apoio, sugestões e interferências nas suas obras por sua mãe, a estilista Niná Bittencourt, que incluiu elementos em alto relevo nas suas tapeçarias. Dario continuava visitando seus clientes e ateliês para suas pesquisas no Rio de Janeiro, iniciando também a execução de suas tapeçarias com o Artesanato Guanabara organizado por Maria Angela Almeida Magalhães e Gilda Vieira Carneiro. Entre setembro e outubro de 1972, Dario expôs pela segunda vez na galeria Guignard de Belo Horizonte, com grande sucesso e prestígio. O artista - que não vivia sem a paisagem ou sem a visão da natureza - criou obras com a junção de temas opostos: máquina e natureza, simbolizando o homem da cidade e do campo. “Na composição de minhas tapeçarias procuro fundir um pouco do aspecto de peças de máquinas descobertas ao acaso, com elementos naturais, intrinsecamente gravados na retina”, declarava Dario no convite da galeria Guignard. O resultado plástico era harmonioso, como afirmou em artigo de 10 de outubro de 1972, a crítica Mari’Stella Tristão: “Um artista preocupado com a construção. Sobre um artesanato magnífico cujo ponto bordado resulta de infinitas pesquisas e se torna novo, diferente e pessoal. Sobre as cores, objeto de cuidadosa escolha do artista que é Rubem Dario.  Elas perpassam pelos tons suaves de efeito romântico, aos mais fortes e agressivos”.
  Esta exposição na galeria Guignard foi um novo marco na carreira curta e meteórica de Dario, com grande repercussão na imprensa mineira. Sálvio de Oliveira, diretor da galeria, comemorou na abertura da exposição, a venda da maioria das tapeçarias de Dario, sendo que uma delas foi selecionada por uma comissão de críticos e aprovada pelo prefeito de Belo Horizonte, Sr. Oswaldo Pieruccetti (1909-1990) para o acervo do Museu de Arte da Pampulha. Neste mesmo ano de 1972, o artista mais jovem entre os mais conhecidos artistas tapeceiros brasileiros, foi chamado com justiça de “o mágico das cores”, por José Mauricio, no jornal Estado de Minas em 15 de setembro e recebeu o título de “tapeceiro do ano” pela coluna cultural “Jane apresenta”, do Diário de Minas em 3 de dezembro.
Em 1973, Dario participou da inauguração da Arte Exposta Galeria de Belo Horizonte, com a  exposição coletiva de tapeçarias ao lado de Marlene Trindade e outros. A Kompass Cultura Galeria, criada pelo crítico e escritor Harry Laus (1922-1992) e com sede em São Paulo, realizou em 1974 uma mesma exposição coletiva, com seis artistas mineiros, chamada de “São os de Minas que Vêm”, em julho na galeria em São Paulo, e chamada de “Mineiros & Kompass”, no espaço cultural do ICBEU (Instituto Cultural Brasil Estados Unidos) de Belo Horizonte em outubro. Dario participou destas duas exposições da Kompass ao lado de Maria Helena Andrés, Yara Tupinambá, Marlene Trindade, Quintão e Manoel Augusto Serpa Andrade. No catálogo da exposição, Harry Laus afirma que convidou, para organizar estas mostras, o premiado crítico Morgan da Motta, que declarou: “Dario conjuga formas geométricas depuradas, sem o rigorismo dos concretistas, isto é, a simplificação dos elementos da fauna e da flora, até há pouco tempo seu tema central”.
Em setembro de 1974, a UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) em Belo Horizonte, apresentou a exposição coletiva “Tapeçaria Brasileira”, organizada pelo Centro de Extensão da Escola de Belas Artes, em articulação com o Conselho de Extensão da universidade. O professor Pierre Santos destacou no catálogo, o status artístico atual da tapeçaria nacional, representado pelas tapeçarias planas do pioneiro Genaro de Carvalho, pelos objetos tecidos dos artistas Douchez e Nicola, pelas formas novas que pedem espaço para respirar como das artistas Marlene Trindade e Zorávia Bettiol e pela renovação de possibilidades técnicas nas representações planas de Rubem Dario e de Augusto Degois. Os dezessete artistas expositores, procedentes de seis estados brasileiros, mostraram a importância e a elevada qualidade desta mostra. Em outubro deste mesmo ano Dario participou da coletiva “Caminhos da Tapeçaria” realizada no Museu de Arte Moderna da Pampulha em Belo Horizonte.
A consagração artística de Dario se confirmava em homenagens como na inauguração da Pinacoteca do Minas Tênis Clube, em Belo Horizonte, com a exposição coletiva das alunas de tapeçaria de Marlene Trindade, em outubro de 1974 , e  a participação de outros artistas homenageados como Augusto Degois e Maria Helena Andrés.
Em maio de 1975, a Contorno Galeria de Arte, localizada no bairro de Botafogo no Rio de Janeiro, realizou uma mostra coletiva importante, em apoio ao movimento da valorização da tapeçaria brasileira. Rubem Dario expos com treze artistas reconhecidos, procedentes de cinco estados brasileiros, entre os quais, Bia Vasconcellos, Gilda Azevedo, Iberê Camargo, Ignez Turazza, Licié Hunsche, Madeleine Colaço, Maria Helena Andrés, Maria Kikoler, Maria Thereza Camargo, Parodi e outros.
Dario também foi convidado para participar da exposição coletiva, em junho de 1975, para a inauguração da galeria Vivência, de Belo Horizonte, um novo ponto de encontro cultural com a troca de experiências em música, literatura e arte. O artista participou desta exposição com Carlos Wolney Soares e Eymard Brandão, entre outros.
O jornalista e crítico de arte José Maurício Vidal Gomes declarou, em outubro de 1975, no catálogo da exposição individual de Rubem Dario, na Ami Galeria de Arte de Belo Horizonte, que o artista era um “poeta da tapeçaria”(..). “Dario, numa pesquisa sofrida, procurando, buscando – não importava onde – tornou-se parceiro do tempo, deixando em cada trabalho um pouco de si, num todo ainda não formado, que caminha e acorda com o sol pincelando madrugadas, noites e sempre a terra, até partir para o espaço, sem medo das estrelas e das formas a encontrar. Dario, sonha sonhos de flores e caminhos abertos para o infinito com todos os seus deuses e demônios de mãos dadas no silêncio de cada um, deixando a imaginação solta nos olhos de todos. E não interessa qual o Rubem Dario analisar como artista. Se o autor dos trabalhos ansiosos, se o compositor de linhas e cores misturando magia com o real, se o artista que mistura fogo e água, verde e chuva. Seus trabalhos – diria – são completos, se não soubesse de sua constante insatisfação com o que faz, querendo sempre muito mais, nesta ambição viva que move e conduz o artista para a sua imortalidade”. Assim José Mauricio Vidal Gomes descreve poeticamente a última fase deste artista que se despediu de sua breve carreira com este tema surreal a caminho das estrelas.
Três anos depois desta exposição Dario desapareceu prematuramente, como anunciava a manchete, do jornal Diário de Minas de 17 de janeiro de 1978: “Rubem Dario partiu cedo”. A sociedade e os meios artísticos de Minas e do Brasil estavam em luto com a perda do jovem Rubem Dario de 36 anos. Dario sofreu um acidente de carro e faleceu alguns dias depois, em 14 de janeiro de 1978, em conseqüência de um aneurisma cerebral seqüencial a uma cirurgia.
Dario recebeu duas homenagens póstumas em 1978, em outubro no Palácio das Artes de Belo Horizonte, com a exposição coletiva “Panorama da Moderna Tapeçaria em Minas”, em conjunto com os artistas Augusto Degois, Marlene Trindade e outros. Em dezembro na Funarte do Rio de Janeiro, aconteceu a exposição coletiva “Caminhos da Tapeçaria Brasileira”, que contou com Bia Vasconcelos, Gilda Azevedo, Jacques Douchez, Parodi, Zoravia Bettiol entre outros.
A Galeria Passado Composto Século XX, tem colecionado para seu acervo cartões-modelos e tapeçarias deste fascinante artista. Tendo já exposto  obras de Dario, em duas de suas  mostras coletivas. “Assinaturas Modernas”, realizada em agosto de 2014, em conjunto com Genaro de Carvalho, Jacques Douchez, Norberto Nicola e Jean Gillon, na própria galeria, e uma segunda mostra, “ Nas Curvas do Modernismo”,  em abril de 2016 na SP-ARTE no novo setor de Design e na galeria até agosto de 2016, com os mesmos artistas. Seguindo a missão de resgatar a memória do design e da arte da tapeçaria nacional a galeria vem desenvolvendo grande pesquisa, sobre a vida e obra de Dario, além de catalogar a vasta documentação histórica cedida pela Sra. Anna Lúcia Bittencourt, irmã do artista, que confiou igualmente a galeria, grande parte das obras de Dario de sua coleção particular. A galeria apresenta este conteúdo consistente da “carreira meteórica” de Dario, juntamente com suas obras, na coletiva “Artistas da Tapeçaria Moderna II”, em outubro de 2016, com a curadoria de Antonio Suster Abdalla e de Graça Bueno.

Graça Bueno
Outubro de 2016

 

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