SP-Arte 2018
A Galeria Passado Composto Século XX apresenta em abril de 2018, em sua galeria e na terceira edição do Setor de Design na SP-Arte, a mostra “Murais Nômades” com destaque para as tapeçarias artísticas modernas nacionais em composição com o mobiliário de design da mesma época.

O título da mostra é inspirado na expressão “MuralNomad” do arquiteto naturalizado francês Le Corbusier (1887-1965),  em referência à tapeçaria artística que ele batizou como “mural nômade dos tempos modernos”. Ele considerava a tapeçaria como muros de lãs, para dependurar, soltar, enrolar e movimentar, recolocando onde desejar, como eram originalmente no passado com sua característica nômade, acompanhando os senhores nas suas diferentes residências.  Na opinião dele, a tapeçaria compunha a arquitetura muito além da simples decoração e, em 1959, em uma carta a Oscar Niemeyer (1907-2012), ele enfatizou que a textura, a matéria e  a sensibilidade do artesão na realização da obra irradiava cores no espaço e cumpria a sua função acústica.

Nesse clima poético, a galeria leva para a SP-Arte 2018 murais modernos, bordados ou feitos no tear, além de quadros matrizes de tapeçarias e documentos históricos relacionados às obras. Destacamos uma tapeçaria monumental, medindo aproximadamente 5,00 X 2,00 metros, intitulada “Nordeste Seco”, refletindo o tropicalismo exuberante do artista baiano Genaro de Carvalho (1926-1971), pioneiro da tapeçaria artística genuinamente brasileira. Esta tapeçaria foi encomendada por volta de 1965 por Adolpho Bloch (1908-1995) para compor sua coleção de arte no prédio da Manchete concebido, em 1966, por Oscar Niemeyer (1907-2012) e para ser exposta suntuosamente no saguão de entrada deste edifício a partir de 1968.  No início dos anos de 1970, Adolpho Bloch mudou esta tapeçaria para o 11° andar deste mesmo edifício Manchete, criando neste ambiente, o gabinete para o seu grande amigo, Juscelino Kubitschek (1902-1976), poder trabalhar e receber amigos no Rio de Janeiro. Após o falecimento de JK, em 1976, este gabinete se tornou o primeiro Museu Juscelino Kubitschek no Brasil.

Além de Genaro de Carvalho, outros premiados artistas tapeceiros fazem parte dessa mostra, como Norberto Nicola (1930-2007) com a tapeçaria tropical intitulada “Floral”, Jacques Douchez (1921-2012), Jean Gillon (1919-2007) e Rubem Dario (1941-1978) com extraordinários estudos de tapeçarias.

No auge da tapeçaria moderna brasileira, a partir dos anos de 1960, alguns renomados pintores atenderam ao apelo de importantes ateliês, seguindo a tendência francesa de autorizar a transposição de suas obras para executar tapeçarias únicas. Nesse contexto, a galeria apresenta uma tapeçaria excepcional intitulada “Mastro”, executada por volta de 1970 pelo AG - Artesanato Guanabara, com autorização e pedido expresso do seu artista criador Alfredo Volpi (1896-1988), eleito diversas vezes o melhor pintor nacional,  além de ter sido considerado um dos maiores coloristas do nosso tempo.
 
A ambientação da  mostra conta com raridades do mobiliário moderno brasileiro, criadas pelos melhores designers e arquitetos,  como pelo mestre e artista Joaquim Tenreiro (1906-1992), que apresentamos igualmente dois quadros de sua autoria, além de peças ícones de outras estrelas como Sergio Rodrigues (1927-2014), Jorge Zalszupin (1922-), Jean Gillon (1919-2007) e Anna e Oscar Niemeyer, além de móveis de manufaturas importantes como CIMO, Branco & Preto e Unilabor.

Fotografias artísticas autorais de Pierre Verger (1902-1996) e dos contemporâneos Flavio Damm e Ruy Teixeira fazem parte da exposição com maestria. O clima aconchegante é completado com a iluminação preciosa, criada por Cida Santana, em cristais de rocha procedentes de Minas Gerais, terra  natal de JK que ele tanto amava.
 
No espaço da galeria, a mostra homenageia na vitrine o premiado artista Jacques Douchez, com pinturas e tapeçarias planas e escultóricas. Atualmente, o artista é saudado também em uma importante exposição no MAB – Museu de Arte Brasileira da FAAP, intitulada “A cor não tem fim - pinturas e tapeçarias de Jacques Douchez”, com uma abundante diversidade de obras coloridas flutuando no espaço.

A realização da mostra “Murais Nômades” faz parte da missão da galeria de valorizar a brasilidade e de resgatar a memória nacional dos mestres do design e da arte em tapeçaria.


SERVIÇO DA MOSTRA “MURAIS NÔMADES”EM DOIS LOCAIS:

Evento: Setor de Design - 3º andar da SP-Arte 2018
Local: Pavilhão da Bienal de SP – Parque Ibirapuera

sp-arte.com
Stand no. DS1: Passado Composto Século XX
Curadoria e realização: Graça Bueno e Passado Composto Século XX
Expografia: Giovanna Verdini
Assistente de pesquisa: Karen Matsuda
Abertura para convidados: 11 de abril
Período aberto ao público: de 12 a 15 de abril
Horário: Quinta a Sábado – das 13h às 21h. Domingo – das 11h às 19h


Local: Galeria Passado Composto Século XX

Endereço: Alameda Lorena, 1996 – Jardins – São Paulo
Curadoria e realização: Graça Bueno e Passado Composto Século XX
Período aberto ao público a partir de: 07 de abril
Horário: Segunda à Sexta – das 10h às 19h. Sábado – das 10h às 15h

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