AD Francesa - edição maio 2010
Páginas: 100 e 102

Tradução:

O MERCADO EMERGENTE DO DESIGN BRASILEIRO

“Pouco conhecido na europa, o mobiliário "vintage" brasileiro tem muito a oferecer. De excelente manufatura, assinado por grandes nomes, é promessa de um belo futuro em um mercado em busca de novos clássicos.”

Por Cédric Morisset

Nascido ao mesmo tempo em que o movimento da arquitetura moderna, o "design" brasileiro escreveu belas páginas a partir dos anos 40. Longe dos importantes centros que estão na europa, com seu mobiliário tubular, e, em seguida, os Estados Unidos nos anos 50, o design brasileiro se desenvolveu de maneira independente e original, mas não sem influências.

Criados primeiramente para atender a demanda de grandes nomes como Lucio Costa ou Oscar Niemeyer para mobiliar seus novos edifícios, o mobiliário foi progressivamente encontrando seu lugar dentro dos novos interiores de um país em plena idade de ouro.

Geralmente, data-se o nascimento do "design" brasileiro a partir da criação da “Poltrona Leve”, desenvolvida em 1942 por Joaquim Tenreiro, ebanista de formação, que se tornou um dos maiores nomes do "design" brasileiro, apesar de haver belas peças atribuídas a ele provenientes de períodos anteriores.

Redescoberto depois de décadas de esquecimento, o "vintage" brasileiro começou a ter seu espaço em um mercado que se desenvolve gradualmente.

Essências tropicais e inspiração nórdica
“O "design" brasileiro se distingue pelo uso característico de madeiras exóticas, e notadamente do jacarandá”, explica Graça Bueno, proprietária da Passado Composto Século XX, a mais bela galeria de "design vintage" de São Paulo. Madeira presente no mobiliário brasileiro por excelência, o jacarandá é hoje protegido por leis ambientais e é uma boa referência para datar os móveis de época.

Muito inspirado pelas linhas do mobiliário escandinavo, em voga nos anos 50, o "vintage" brasileiro se diferencia por um uso da madeira que é bem peculiar. A leveza de Joaquim Tenreiro, que preconizava a flexibilidade de linhas e a praticidade dos móveis, era constrastada pela robustez das criações de Sérgio Rodrigues, à procura do conforto e inspiradas pelas raízes indígenas do Brasil.

As referências coloniais também são encontradas às vezes aqui ou ali, com móveis em palhinha bem portugueses.

Quais peças comprar?
“É preciso, antes, pedir orientações e prestar atenção”, explica Carlos Junqueira, da galeria Espasso, em Nova York, um especialista que assessora casas de leilões como a Phillips de Pury, “pois algumas peças são reeditadas hoje e também há muitas cópias. Às vezes é difícil perceber a diferença entre um mobiliário novo e um de época”.

Como primeiro investimento, o galerista aconselha a compra de grandes clássicos do "design" brasileiro, e, mais particularmente, as peças de Joaquim Tenreiro, cujas criações são as mais caras do mercado. As mais procuradas são a Poltrona Leve, feita em duas versões: clara, na madeira marfim, e escura, em nogueira, com tecido "capitonée" estampado pela artista Fayga Ostrower (de €10.000 a €20.000 em função do modelo). Há também a cadeira de Três Pés, feita com lâminas de diferentes madeiras brasileiras, que proporcionam um jogo cromático refinado.

Para Graça Bueno, as peças de Sergio Rodrigues, como a poltrona Mole, são um "must" mais acessível. Mas as peças mais procuradas são as de Oscar Niemeyer, sobretudo no exterior, afirma a galerista. Sobre estas peças a especulação já começou, assim como sobre as peças criadas por José Zanine. O arquiteto, nascido em 1919, que construiu mais de 300 casas com estrutura em madeira, utilizava a que já tinha sido derrubada com a exploração desordenada em florestas de mata atlântica que ocorria naquela época. Ele foi também um "designer" importante, inigualável. À época do leilão “Latin América” na Phillips de Pury, em outubro de 2009, uma de suas mesas foi avaliada em U$50.000 (€36.800)

Um mar inexplorado
Além desses importantes nomes, há um grande número de "designers" brasileiros cujo trabalho já desperta o interesse dos colecionadores. Entre eles, Lucio Costa, Giuseppe Scapinelli, Ricardo Fasanello, Jean Gillon e Jorge Zalszupin, cujas obras começam a ser bem cotadas. “O interesse cresceu progressivamente, especialmente na França, Itália e Bélgica”, explica Carlos Junqueira. A Galeria Pierre Bergé & Associés de Bruxelas ainda investiu na experiência de mesclar o passado, usando o mobiliário vintage, e peças contemporâneas de "designers" inspirados do Brasil, dentro de uma exposição-venda batizada “Brazil influence meets Brazil style” (A influência do Brasil encontra o estilo do Brasil)

O "vintage" brasileiro abriga hoje um “mar” muito pouco explorado fora do Brasil. Não existem leilões que sejam totalmente arrematados e “é muito difícil retirar as peças do Brasil” segundo o proprietário da galeria Espasso. O mercado,portanto, tem dificuldades em se abrir, o que tem, por conseqüência, mantido os preços relativamente elevados, mesmo “que as peças não sejam tão difíceis de encontrar”. Como em todo o mercado emergente existem, contudo, boas oportunidades de negócio. ◙

Nota
Uma cadeira de Joaquim Tenreiro é negociada em torno de €3.000, uma mesa de jantar por €50.000 e um sofá por €22.000. Produzida em menos de 10 unidades, a Cadeira de Três Pés foi vendida por U$54.000 (€39.317) em Nova York em 2004, e, dois anos mais tarde, por U$250.000 (€181.991) segundo um artigo publicado pela revista Art+Auction.

Um par de cadeiras Oscar em jacarandá, criação de Sergio Rodrigues, uma das mais belas do designer, é negociada em torno de €15.000 sua poltrona Mole, igualmente muito representativa de seu trabalho, custa em torno de €7.000. Um par de poltronas Kilin foi vendida por €1.000 na Pierre Bergé & Associes em 2009.

A celebrada poltrona Jangada, desenhada por Jean Gillon, que se encontra no hotel Fasano do Rio de Janeiro, custa de €20.000 a €25.000

Um sofá de 3 lugares de Jorge Zalszupin foi avaliado ano passado, na Pierre Bergé & Associés, em €3.000


Onde comprar Mobiliário Vintage Brasileiro

• Em Nova York: na Phillips de Pury & Company, 450 West 15 Street, tel. 001 212 940 1260. www.phillipsdepury.com
Na galeria Espasso, 38, N. Moore Street, tel 001 212 219 0017 www.espasso.com

• Em São Paulo: na galeria Passado Composto Século XX, Al. Lorena, 1996 – Jardins, tel 0055 11 3088 9128. www.passadocomposto.com.br

• Em Bruxelas: na Pierre Bergé & Associes, place du Grand-Sablon, 40 tel 0032 2 504 8030. www.pba-auctions.com

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