Geraldo de Barros
Geraldo de Barros nasceu na pequena cidade de Xavantes, no interior de São Paulo, em 1923, e veio a falecer em abril de 1998, com 75 anos, na capital. Sua vida foi dedicada à arte e ao design, atividades que tratou como uma só.

Sua iniciação intelectual deu-se por meio do aprendizado nos grupos dos pintores chamados “operários”, que tratavam a pintura como um artesanato e uma maneira de transcender sua classe social de origem, através da distinção intelectual, ainda nos anos 1940. Também no contato com a arte concreta – objetiva, quase “científica” – , por meio de Pietro Maria Bardi, Mário Pedrosa e da obra de Max Bill.

Com esse espírito, a um tempo operário e erudito, junta-se a um frei dominicano, a um engenheiro e a um serralheiro e, em agosto de 1954, ajuda a criar a Unilabor, fabricante de móveis modernos: era uma autogestão e funcionava como cooperativa, sem patrões. Dessa comunhão brota, entre 1954 e 1967, uma linha de móveis modernos, componentizados e moduláveis, vendidos com sucesso em lojas próprias em endereços como a Rua Augusta e a Praça da República, então dentre os mais cobiçados.

Em 1964 deixa a Unilabor e funda, com alguns sócios, a Hobjeto. Na nova empresa experimenta processos e técnicas de maior porte industrial: usa aglomerado, tubos de ferro cromados e laqueação, experimenta o poliuretano, cria empresas-satélites para subsidiar a produção da empresa-mãe, investe em propaganda. Em suma: diversifica, aprofunda e consolida sua experiência como designer.

A Hobjeto foi um sucesso comercial e empresarial durante boa parte de
sua existência, porém não resistiu à ausência de Geraldo, que dela se retirou progressivamente, a partir de 1982, em função de limitações decorrentes de problemas de saúde. A empresa encerrou suas atividades em 1997. Foi, para Geraldo de Barros, a exemplo da Unilabor, um exercício vivo de arte integrada ao design.

-------
Texto: Mauro Claro
Ilustração: Julio Dui

voltar home