Pedro Petry - Design Brasil, 101 anos de história - 2010
páginas 276 e 277

por Pedro Ariel Santana e Maria Helena Pugliesi


Quase 30 anos atrás, o olhar atento do catarinense Pedro Petry lançava uma pergunta: por que o mercado utiliza sempre as mesmas espécies de madeira e desperdiça tanta matéria-prima? O incômodo virou estímulo para seu trabalho de pesquisa de madeiras alternativas e reaproveitamento do material. Petry foi um dos primeiros a usar madeira de árvores caídas na mata e toras descartadas em podas urbanas - e até cunhou um termo para esse material: madeira de redescobrimento.

A infância no sítio e a convivência a avó alemã, que sofrera a escassez do fim da Segunda Guerra Mundial, foram determinantes na caracterização de seu design contra o desperdício. "Cresci com a idéia de aproveitar ao máximo tudo o que a terra nos oferece, dando vida e utilidade a cada pedacinho de galho caído que encontrava no pomar", conta.

Antes de montar sua marcenaria artesanal, em Itu, interior paulista, o designer estudou engenharia e se dedicou à tecelagem da família e à sua própria fábrica de móveis. A habilidade no torno manual, descoberta ainda no colégio, foi aperfeiçoada na Alemanha, período em que experimentou diversos tipos de efeito em galhos e raízes de árvores caídas, sempre valorizando nós, rachaduras e outras marcas naturais exclusivas. Foi também nessa época que o artesão deu início a uma coleção especial de madeiras em forma de canetas - em 2009, já eram mais de 270 espécies diferentes. No fim dos anos 1990, Petry incluiu as madeiras certificadas em sua lista de matérias-primas e, mais tarde, em 2010, conquistou a parceria da Orsa Florestal (mantenedora, na Amazônia, de 545 mil hectares de madeiras nativas certificadas pelo FSC) para transformar resíduos do manejo florestal em móveis, objetos, utilitários e brindes corporativos.
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