Rodrigo Bueno nasceu em Campinas, em 1967, e graduou-se em Comunicação Social. Na década de 1990, mudou-se para Nova Iorque para cursar o mestrado em Artes Visuais na School of Visual Arts. Durante esse período, dedicou-se também ao estudo da religião comparada, despertando profundo interesse pela cultura asiática. Antes de concluir o curso, passou uma temporada na Índia e, posteriormente, estabeleceu-se em São Francisco, onde retomou seus estudos e iniciou um mestrado em Arte e Consciência na JFK University. Essa formação, voltada ao universo holístico e ao autoconhecimento, conduziu-o à compreensão da arte como instrumento de cura, fundamento de uma matriz crítica e afirmação identitária.
Nesse percurso, Rodrigo despertou para a valorização de sua própria história, de seu país e de seu povo, especialmente das conexões que unem a humanidade à natureza. Em sua herança familiar, marcada pelas culturas de Minas Gerais, Bahia e Mato Grosso, reaviva saberes ancestrais e modos de aprendizagem que transformam a memória em poesia e revelam uma percepção da matéria que ultrapassa seu uso utilitário, propondo novos ciclos de existência para aquilo que foi descartado.
Em 2000, retornou ao Brasil e fundou o Ateliê Mata Adentro, espaço que hoje reúne ateliê, residência, escola e práticas de arteterapia. A casa-ateliê transformou-se em um verdadeiro polo de reflexão, convivência e experimentação artística, onde pintura, escultura, música, palavra, culinária, corpo e espiritualidade se articulam em experiências coletivas que aproximam arte, natureza e comunidade. Nesse ambiente, elementos descartados da cidade - madeira, papel, plantas, móveis e outros materiais recuperados - são incorporados às obras, reafirmando a potência poética e simbólica da transformação. Como explica o artista: "Semeamos o cultivo de um jardim interno, uma chama/chave transcendente entre o dentro e o fora, expressões ancestrais que falam da continuidade da vida, do eixo que sustenta o todo, da cultura em constante movimento."
Sua produção organiza as forças dinâmicas de uma arte de caráter ritual, despertando narrativas ancestrais e propondo uma tecnologia de acolhimento e encontro. Por meio de objetos, tessituras, esculturas, pinturas e intervenções com plantas, constrói paisagens vibracionais nas quais se sobrepõem dimensões sutis, vozes e luzes que emergem da confluência entre a natureza e as matrizes afro-indígenas. Pelo uso recorrente de materiais recuperados e pela integração entre criação artística e meio ambiente, Rodrigo Bueno é reconhecido como um importante artista ambiental contemporâneo.
Em 2010, foi selecionado para a Exposição Ecológica do MAM-SP e, em 2019, recebeu o Prêmio Marcantonio Vilaça. Participou de diversas exposições coletivas no Brasil e no exterior, com destaque para sua presença na mostra Désormais, realizada no Espace Frans Krajcberg, em Paris, em 2022. Suas obras integram importantes coleções particulares e acervos de instituições como a Pinacoteca de São Paulo, Museu da Inconfidência e o MAM-SP.